segunda-feira, 9 de julho de 2012

Pantera: 20 anos de “Vulgar Display Of Power”

Para uns o segundo, para outros o sexto álbum da discografia do Pantera – já que alguns nem sabem que eles lançaram quatro discos fazendo Hard Rock. Independente da posição, “Vulgar Display Of Power” é um clássico incontestável.


Pantera – “Vulgar Display Of Power” - Lançado em 25 de fevereiro de 1992


Sucedendo o impecável “Cowboys From Hell”, essa pancada, retratada perfeitamente pela capa, deu as caras em fevereiro de 1992 e teve o trabalho de quebrar dois paradigmas. O primeiro foi de suceder “Cowboys”, com o nível de qualidade anteriormente apresentado e com o mesmo – talvez maior – êxito. O segundo foi de ter-se um álbum de metal genuíno de sucesso após a explosão Grunge, iniciada em 1991.

Hoje, 20 anos após o lançamento, é fato que os dois paradigmas foram, no mínimo, estraçalhados.


“Vulgar Display Of Power” é um verdadeiro divisor de águas na trajetória do quarteto, até mais do que o também clássico antecessor. Tido hoje como a bíblia do Groove Metal, subgênero que ganhou forças ao fim dos anos 1990 e começo dos anos 2000, o play definiu a sonoridade que seria feita até o último dia de existência da banda. Num âmbito geral, apresenta composições ainda pesadas, porém cada vez mais puxadas para o Groove do que para o Heavy e Thrash – ou seja, músicas mais cadenciadas e composições com mais ritmo.

A forma de tocar também sofria leves modificações: Dimebag Darrell parecia estar cada vez mais arrojado e distorcido ao ferir as cordas, sem contar na precisão de seus riffs e solos. Rex Brown, eficientíssimo baixista, dava ritmo e pegada pelo background. Vinnie Paul literalmente espancou seu kit e deu o sangue com excelentes linhas de bateria e bumbo duplo de se tirar o chapéu, com ainda mais poder que no passado. Phil Anselmo assumiu vozes mais berradas e sem falsetes, aderindo à postura “machão hardcore” que fluiu muito bem.

Pantera - Walk

O sucesso do Pantera se deu principalmente à incrível originalidade na proposta. E não foi por acaso que a recepção de “Vulgar Display Of Power” foi tão positiva por críticos e fãs. Pela primeira vez chegaram às paradas gerais americanas e britânicas, respectivamente nas posições de número 44 e 64. Hoje já conservam disco duplo de platina e ouro nos dois países, também respectivamente, além de platina na Austrália.

Destaques, apesar de desnecessários (a bolacha é maravilhosa do começo ao fim) vão para as marcantes pedradas Mouth For War e Fucking Hostile, a metálica Walk e as baladas This Love e Hollow, no melhor estilo Pantera. Vale a pena ouvir muito, mas não garanto que o pescoço ficará à salvo.

Pantera - This Love

01. Mouth For War
02. A New Level
03. Walk
04. Fucking Hostile
05. This Love
06. Rise
07. No Good (Attack The Radical)
08. Live In A Hole
09. Regular People (Conceit)
10. By Demons Be Driven
11. Hollow

Exército

Em uma nova entrevista com a Rolling Stone, o baterista Vinnie Paul falou sobre o clima no estúdio durante aquela época, como ele se sente sobre o álbum duas décadas depois e o que o futuro reserva para a Pantera.

Quando perguntado se o clima em estúdio era trabalho ou lazer, Paul disse que a música sempre vinha em primeiro lugar para o Pantera. "Sempre trabalho primeiro e depois me divirto", explicou Paul. "Sempre gostamos de levar as coisas a sério e chutar alguns traseiros, e em seguida, por volta das duas, três, quatro, cinco horas da manhã - sempre que terminávamos, nós abríamos uma garrafa de uísque e tomávamos um porre e tudo que precisávamos fazer era apenas sentar e ouvir o que tínhamos feito. Nós pensávamos no que fazer para deixá-lo melhor e realmente ficamos bem animados com o resultado".

Phil Anselmo (vocal), Dimebag Darrell (guitarra), Rex Brown (baixo) e Vinnie Paul (bateria)

Ao se lembrar daquela época, bateu um sentimento solidário. "Eu só me lembro que éramos um exército. E se você ferrava com um de nós, você ferrava com todos nós", disse Paul. "Nós tiramos o melhor de cada um de nós, e em cada álbum que fazíamos, essa montanha ficava mais alta e mais alta para subir".

Quanto ao que o futuro reserva para o legado do Pantera, Paul acha que é melhor deixar a música como ela está. "Foram realmente bons momentos, e é hora de todos nós seguirmos em frente com outras coisas que estamos fazendo", explicou Paul. "E nós estamos fazendo nossas próprias coisas e estamos felizes com isso. Mas o Pantera definitivamente foi especial".

Fontes: Van do Halen, em 25/02/2012; e Rock News, em 20/06/2012

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